Ele saiu de Minas Gerais, passou pela segunda guerra mundial e hoje aproveita a vida em Toledo (PR).
19/01/2014
O personagem dessa história é um simpático senhor chamado Hélio Vargas Netto e de comum essa história não tem nada. Nascido em Minas Gerais, em 1943 Hélio fez curso de tiro de guerra e foi convocado para a força expedicionária brasileira (FEB). Foram designados por volta de 25 mil combatentes e ele era um desses. Depois de feito sargento, em São João del Rei, embarcou para o Rio de Janeiro de onde seguiria para a Europa a bordo do navio General Meigs.
Depois de 25 dias de viagem, surpresa! Ele desembarca no porto de Génova e só então descobre que seu destino era a Itália. Hélio conta que, ao chegarem, o porto tinha sido bombardeado e havia uma imensidão de navios semi afundados. Neste período em que iam para a guerra, o então rapaz fez um grande amigo chamado José Medeiro. Fortalecida pela convivência, a amizade se tornou companheirismo e com ele nasceu uma vontade mútua de ter um negócio juntos se voltassem da guerra.
Logo após chegarem, a familiaridade de Hélio com a língua inglesa permitiu que ele entrasse em um curso, de no máximo duas semanas, de especialização em tiro curvo com os americanos. Por esse motivo, não foi preciso passar muito tempo no front de batalha, correndo assim, menos risco de vida.
No dia 8 de maio de 1945 a guerra chegou ao fim. Mesmo com o fim da batalha que participava, as tropas ainda não podiam ir embora. Hélio teve que permanecer até que o domínio fosse consolidado. Ao todo, passaram-se quase dois anos desde sua chegada na Itália até sua volta ao Brasil. A bordo do navio James Parker, Hélio, então com 23 anos de idade, desembarca no Rio de Janeiro onde fica para conseguir a dispensa do exército. A ideia era colocar em prática os planos com seu amigo e companheiro de batalha, José Medeiro.
Com sua dispensa em mãos, no fim de 1945, os dois amigos fizeram algumas visitas ao Paraná como forma de pesquisa de mercado. Decidiram então que Santo Antônio seria o lugar onde comprariam um bar que ficaria pequeno para os dois depois de um tempo. Hélio havia levado parte de sua família para trabalhar junto no negócio. Por isso, o amigo José resolveu que seria melhor Hélio ir em frente com o negócio enquanto ele seguiria seu próprio caminho que, futuramente, o tornaria sócio de uma empresa de transportes.
O crescimento do bar foi tamanho que em pouco tempo já tinha filial. Mas, com tanta coisa improvável na vida de Hélio, é claro que o bar não seria o fim de sua carreira profissional. Através de contatos, ele conseguiu a gerência de uma das filiais do Banco Comercial do Paraná e ainda voltaria depois disso a Ourinhos, São Paulo, onde trabalharia como gerente comercial de uma filial da cervejaria Brahma. Foram 40 anos naquela cidade até que, 12 anos atrás, o Sr. aventureiro resolveria aproveitar sua melhor idade e os benefícios de sua aposentadoria novamente no Paraná, agora em Toledo, cidade que lhe encanta.